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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Hinduísmo - Sanatana Dharma

Thereza Gerhard

O hinduísmo remonta ao segundo milênio antes de Cristo, na Índia. Os praticantes desta religião a denominam Sanatana Dharma, o qual significa “imperecível ou eterno”. A crença Hindu defende que há somente um Ser Absoluto, conhecido como Brahman, mas que possui milhares de nomes e formas e é alcançado através da adoração. O Hinduísmo é a fé ou filosofia de vida predominante pelo menos para cerca de 80% da população da Índia, uma vez que a religião é uma forma de vida no país. O Sanatana Dharma não possui um fundador nem dogmas e não exige que seus adeptos aceitem uma idéia cultural em detrimento de outra. É caracterizado por uma rica variedade de idéias e práticas, resultando no que, aparentemente, seja uma multiplicidade de religiões que se abrigam com o nome de “Hinduismo”.


Os ensinamentos hindus foram passados por antigos sábios e também por escrituras como os Vedas e os Upanishads. Uma das escrituras upanishads mais importantes do Hinduísmo é o Bhagavad-Gita “Canto do Senhor”. É um poema místico-filosófico, escrito originalmente em sânscrito por diversos autores hindus, que narra a batalha entre dois grupos antagônicos e simboliza a luta interna do homem. Faz parte da epopéia Mahabharata, compilada entrre os séculos 5 e 1 a.C. O propósito desta obra é salvar a humanidade da necessidade da existência material.

Segundo os hindus, o ser humano deve questionar a natureza de Deus. Deve-se perguntar o porquê do sofrimento e buscar soluções; indagar de onde vieram e para onde vão após a morte.

Segundo esta crença, os seres humanos estão inseridos em um ciclo de vida e morte (samsara). Este ciclo acaba quando a alma, depois de total purificação, alcança a libertação definitiva. Quem fez o bem renasce num ser mais nobre e quem fez o mal renasce numa pessoa pertencente a uma casta inferior ou no corpo de um animal.

Há dois ramos principais: Vaishvanismo e o Shivaísmo. O lugar de culto é o templo. Seguem o Yoga como estilo de vida e filosofia prática. E, além da Índia, o Hinduísmo é importante no Sri Lanka e na Malásia.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Hare Krishna

O movimento Hare Krishna é uma religião monoteísta oriental, uma ramificação do Hinduísmo, porém fundada nos Estados Unidos, pelo mestre hindu, Bhaktivedanta Swami Prabhupada, em 1966. Ele deixou a Índia em 1965 e encontrou entre os jovens americanos do movimento de contracultura o meio necessário para a propagação de suas idéias.

A ISKCON, ou Internacional Society for Krishna Consciousness, denominação oficial do Movimento Hare Krishna, se caracteriza por considerar Krishna como a suprema Personalidade de Deus. Krishna é o personagem que aparece no poema épico MahaBharata que conta a história da Índia. E do sexto canto deste poema sai o Bhagavad Gita, o livro sagrado do Movimento. Há também os Vedas, escrituras compiladas pelo sábio Vyasadeva.

Existe o ritual de iniciação em que o seguidor faz votos e torna-se um representante da Tradição. Nessa ocasião é feita uma cerimônia chamada agni-hotra, sacrifício de fogo, que visa à purificação e espiritualização. Há uso de imagens, também chamadas murtis ou deidades, para a adoração, seja no templo ou privadamente e utiliza-se instrumentos musicais nos cultos.


No Brasil

A religião chegou ao país em 1972. De 1974 a 1977, havia apenas grupos isolados. Na década de 80, a ISKCON passa a ter 18 templos urbanos e o templo rural de Nova Gokula, totalizando 800 devotos que viviam de maneira monástica. Hoje, porém, há poucos templos e praticamente todos eles sofrem dificuldades econômicas.

A comunidade rural de Nova Gokula, fundada em 1978, é uma exceção. Localizada em Pindamonhangaba, São Paulo, cresce constantemente e possui o maior templo do movimento no Brasil. Além do templo, destaca-se a escola gurukula que atende crianças carentes e a luta da comunidade pela preservação ambiental. A população de Nova Gokula atinge mais de 200 habitantes.


Hábitos

Os hare krishnas não comem carne, peixe e ovos;
os monges celibatários e alguns homens casados raspam o cabelo, mas deixam um tufo de cabelo comprido na parte de trás, chamado sikha;
vestem roupas indianas;
pintam o nariz e a testa com argila. A pintura é chamada de tilaka;
abstêm-se de sexo ilícito, jogos de azar e intoxicação por drogas;
o sexo é considerado apenas destinado à procriação.


Crenças

Os hare krishna crêem que não são apenas corpo físico e sim seres espirituais eternos. Para eles, não se deve buscar a satisfação dos sentidos, pois tudo é passageiro. Deve-se dedicar àquilo que é eterno, ou seja, espiritual. Segundo eles, os grandes obstáculos para o aperfeiçoamento da alma neste mundo são: apegos materiais, a exploração do prazer sensual e ignorância. Os seguidores acreditam que tudo neste mundo é cíclico e tudo que fazemos produz uma reação.


Saiba Mais: Comunidade Nova Gokula
Guia de Hare Krishna com links para informações básicas, comunidades e templos, comida vegetariana, música, líderes espirituais, assistência social e sites interessantes
ISKCON.com
Krishna.com

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Fé Bahá'í

A Fé Bahá’í é uma religião mundial, independente, com suas próprias leis e escrituras sagradas, surgida na antiga Pérsia, atual Irã, em 1844. A Fé Bahá’í foi fundada por Bahá’u’lláh, título de Mirzá Husayn Ali (1817-1892) e não possui dogmas, rituais, clero ou sacerdócio. O “Livro Mais Sagrado” e o “Livro da Certeza” estabelecem leis e explicam a natureza de Deus e da religião. Contêm ainda meditações, orações e sermões. Os templos são abertos para membros de todas as religiões.

A Comunidade Bahá’í possui aproximadamente 7 milhões de adeptos no mundo inteiro. No Brasil, a Comunidade Bahá’í está estabelecida no Brasil desde fevereiro de 1921, com a vinda de. Leonora Holsapple Armstrong. Hoje, conta com cerca de 47.000 seguidores.

Os bahá'ís desenvolvem projetos de desenvolvimento sócio-econômico. Um deles é a Associação Monte Carmelo (AMC). A AMC é uma instituição sem fins lucrativos, localizada no município de Porto Feliz, estado de São Paulo. Ela acolhe crianças de todas as religiões e grupos étnicos.


Bahá’u’lláh


Em 23 de maio de 1844, um jovem persa de 25 anos, conhecido como Báb, anunciou sua missão: a de preparar o caminho para “aquele que Deus tornaria manifesto” e de introduzir certas reformas. Por seis anos, ele difundiu ensinamentos e foi martirizado pelo clero mamoetano que se alarmara pelo crescimento de adeptos de Báb. Segundo os ensinamentos Bahá’ís, Báb teria preparado as pessoas para a vinda de Bahá’u’lláh (Glória de Deus).

Bahá’u’lláh nasceu em Teerã, em 1817, em uma família nobre. Seguiu os ensinamentos de Báb e sofreu severas conseqüências: violência, confiscação de propriedades, encarceramento e exílio. Porém, mesmo preso, Bahá’u’lláh escreveu epístolas aos governantes ocidentais persuadindo-os a encontrar o caminho da paz. Foi autor de livros sobre diversos assuntos. Segundo ele, a religião é uma atitude para com Deus que se reflete no cotidiano.

As Escrituras bahá’ís tratam da ética, moral, fé em Deus, das relações humanas, da prece e meditação, de interpretações de textos antigos e previsões futuras. Abordam também política, economia, educação e relações entre as raças.

Os bahá’ís consideram a fé deles uma renovação de todas as religiões. Para eles, todas as religiões fazem parte de plano divino para educar o homem. Cada “educador divino” teria trazido uma mensagem que revela atitudes necessárias para o bem-estar das pessoas. Assim, esta religião crê em ensinamentos de vários religiosos: Abraão, Moisés, Buda, Jesus e Maomé. Bahá’u´lláh prega a unidade das religiões e a Regra de Ouro, segundo a qual todos seriam irmãos, filhos de um só Deus.


Crenças Bahá’ís

• a unidade da humanidade;
• livre e independente busca da verdade;
• eliminação de todas as formas de preconceitos e discriminação;
• igualdade de direitos e oportunidades para o homem e a mulher;
• harmonia essencial entre a religião, a razão e a ciência;
• educação compulsória universal;
• a revelação divina é progressiva: "Deus é um, a religião é uma, a humanidade é uma... o objetivo da criação humana é conhecer e adorar a Deus... Todas as religiões provêm de um mesmo Deus..." (Escritura Sagrada Bahá’í).


Calendário bahá’í

O calendário bahá’í baseia-se no ano solar com 365 dias. É dividido em 19 meses de 19 dias cada um, com a adição de 4 ou 5 dias, respectivamente para os anos comuns e bissextos. Estes dias chamados de “dias intercalares” precedem o último mês do ano, o mês do jejum.

O ano novo bahá’í, chamado Naw-Ruz, coincide com o dia 21 de março, o qual representa o início da primavera no hemisfério Norte.

A Era Bahá’í teve início em 1844 da Era Cristã, (ano 1260 da Era Maometana), que marca a declaração do Báb.


Saiba mais: Associação Monte Carmelo
Associação para o Desenvolvimento Coesivo da Amazônia
Bahá'u'lláh
Escola das Nações
Fotos
Idéias
Pensamentos de Bahá'u'lláh
Portal da Fé Bahá'í no Brasil
Site Internacional da Fé Bahá'í

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Espiritismo

Thereza Gerhard

O Espiritismo é uma religião cristã, pois considera Cristo filho de Deus. Foi formulada em 1857, no “Livro dos Espíritos”, pelo professor francês Allan Kardec (1804-1869), pseudônimo de Hippolyte Leon Denizard Rivail.

Rivail estudou em Yverdun (Suíça) com Johann Heinrich Pestalozzi, de quem se tornou discípulo e colaborador. Escreveu gramáticas, aritméticas, estudos pedagógicos superiores; traduziu obras inglesas e alemãs. Organizou entre 1835 e 1840, em casa, cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia comparada. Adotou o pseudônimo Allan Kardec a fim de diferenciar a obra espírita da produção pedagógica anteriormente publicada. A escolha deste pseudônimo deve-se ao nome que Rivail teria em outra vida, na época dos Druidas, nas Gálias. Isto foi lhe revelado pelo espírito Z, por meio de um médium.

Em 1855, o professor Rivail ouviu falar ouviu das mesas girantes, fenômeno mediúnico que agitava a Europa. Em Paris, ele fez os seus primeiros estudos do Espiritismo. Aplicou à nova ciência o método da experimentação. Passou a observar estes fenômenos e a pesquisá-los cuidadosamente. Não elaborou teorias pré-concebidas, insistiu na descoberta das causas. Assim, convenceu-se da existência dos espíritos e de sua comunicação com os homens.



Esta religião acredita na reencarnação: os espíritos retornam ao corpo físico, em sussesivas encarnações, para evoluirem até atingirem a perfeição.

Os espíritas realizam palestras, reuniões com “passes”, evangelização, o culto no lar e sessões mediúnicas. Não há liturgia, sacerdotes ou cerimônias como batizados e casamentos.

As palestras, geralmente, são sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo. Mas também há as que abordam assuntos cotidianos como responsabilidade social e saúde.

Nas reuniões, pessoas chamadas passistas transmitem energia positiva e força psíquica para harmonizar outra pessoa. O passe pode agir como revitalizador, compondo as energias perdidas; dispersando fluidos negativos contraídos ou auxiliando na cura de enfermidades, a partir do reequilíbrio do perispírito (intermediário entre o corpo e o espírito).

A evangelização é feita por ciclos que compreendem várias fases da vida dos espíritas e tem por objetivo ensinar o Evangelho Segundo o Espiritismo e outros ensinamentos da religião. O culto no lar é uma reunião familiar constituída por preces e reflexões sobre o Evangelho.

E nas sessões mediúnicas, os espíritas se comunicam com os mortos por meio de um médium (intermediário entre o mundo espiritual e o terreno). A comunicação entre vivos e mortos pode ocorrer por meio da psicografia (o médium trancreve mensagens de espíritos) ou da psicofonia (o espírito utiliza o corpo do médium para falar com os vivos). O médium mais famoso do Brasil foi Chico Xavier.



A crença no mundo espiritual e na interação entre vivos e espíritos são encaradas a partir de uma visão científica. A própria fé, para os espíritas, deve ser raciocinada e tudo deve ser analisado antes de ser aceito como verdade. “Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”, afirmou Kardec.


Livros recomendados:
Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Ed. Federação Espírita Brasileira.
Iniciação ao Conhecimento da Doutrina Espírita. Elaborado por Centro espírita Caminho de Damasco.
Livro dos Espíritos. Allan kardec. Ed. Federação Espírita Brasileira.
Nosso Lar. Francisco Cândido Xavierpelo pírito de André Luiz.
Obras Póstumas. Allan kardec. Ed. Instituto de Difusão Espírita.
O que é espiritismo? Roque Jacintho. Coleção Primeiros passos. Ed. Braziliense e Abril Cultural.
O que é espiritismo? 2ª versão Maria Laura Viveiros de castro. Coleção Primeiros passos. Ed. Braziliense.
Violetas na Janela. Romance do espírito Patrícia. Psicografado por Vera lúcia Marinzeck de Carvalho. Ed. Petit.

Sites: Curso básico sobre Passe
Estudo sobre o passe. Clarice Seno Chibeni.
Federação Espírita Brasileira
Nova Voz Espírita
Universo Espírita

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Confucionismo

Thereza Gerhard

O Confucionismo é uma religião chinesa fundada a partir dos ensinamentos de Confúcio ou K´ong-fou-tseu (551-479 a.C). Sua filosofia é baseada na ética e no humanismo (ren). O Confucionismo pode ser entendido como um conjunto de normas de comportamento que mistura religião, código de ética, ritual social e filosofia política.




Confúcio foi um filósofo que nasceu em 551 a.C., quando a China passava por corrupção e miséria. Ele acreditava ter a missão de restaurar o mundo. Porém, Confúcio não pretendia criar uma religião. A vocação do sábio era política. E seu propósito era propiciar instrução moral e ensinar as pessoas a viver bem, de acordo com os valores de dever, cortesia, sabedoria e generosidade.

Nesta religião não há sacerdotes. Sábios posteriores como Mêncio e Zhu Xi transformaram as idéias de Confúcio numa religião.

Há quatro textos - chamados Quatro Livros - que estão na base do pensamento confucionista: Mêncio, O Grande Aprendizado, Doutrina do Significado e Analectos: livro deixado pelos discípulos de Confúcio. Desta escritura foram retiradas várias frases que encontramos nos tradicionais biscoitos da sorte chineses.

E há os Cinco Clássicos: História, Poesia, Ritos, Anais da Primavera e Outono e Mutações - I Ching. Confúcio resgatou e editou o livro das mutações. Os esotéricos afirmam que ele é capaz de responder qualquer pergunta após jogar três moedas.


Ensinamentos

Confúcio pregava a importância da família e o respeito aos mais velhos. Valorizava o aprendizado. Considerava o céu e os antepassados fontes de bondade. E ensinava que uma pessoa deveria tratar os outros da mesma forma como gostaria de ser tratada.

Para o sábio, famílias felizes são a base de um mundo harmonioso. Todos na família devem colaborar, ajudando-se e amparando-se mutuamente.



Cinco Relacionamentos


Confúcio identificou cinco relações de importância vital na sociedade chinesa: entre pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e irmão mais novo, imperador e ministro e entre dois amigos.


Rituais

Os confucionistas celebram rituais ligados ao ciclo da vida. O casamento tem um significado especial: a acolhida da noiva pela família do marido.


Culto

Venera-se os antepassados. Os ancestrais são cultuados em santuários domésticos ou nos altares dos templos.


Yin e Yang

Segundo o pensamento chinês, tudo no Universo é formado por duas qualidades opostas chamadas yin e yang. Yin representa qualidades femininas, receptivas e submissas. E o yang é masculino, ativo e inflexível. Ambos devem ser mantidos em equilíbrio.


Leia mais: Confúcio . Revista Superinteressante
Confúcio. Terra Educação
I Ching. Revista Superinteressante
O site da UOL disponibiliza uma versão do I Ching apenas para assinantes. Já o Terra tem acesso livre.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Candomblé

Errata

Releia a reportagem especial sobre a religião africana Candomblé.

Com a colaboração de um estudante de Comunicação Social e seguidor da religião, fiz algumas correções na matéria.

Se você tiver alguma sugestão, crítica, comentário ou informação sobre qualquer matéria envie um comentário ou e-mail para: jornalismo.agexp@ubm.br

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Catolicismo

Um dos vários ramos do Cristianismo

O cristianismo é praticado, atualmente, por 2 bilhões de pessoas, o que faz dele o maior do mundo em número de fiéis. A religião é monoteísta, isto é, defende a existência de um só Deus que criou o mundo e tudo o que há nele.

Segundo o cristianismo, Deus é perfeito, está em todos os lugares, sabe de tudo, criou o universo e o mantém funcionando.



A Bíblia diz que Deus julgará todas as ações dos seres humanos. O ser humano pode se aproximar de Deus através de oração, adoração, louvor e amor.


Doutrina



O cristianismo segue a palavra e o exemplo de Jesus Cristo, filho de Deus, que sacrificou sua vida na cruz pela humanidade. A doutrina se baseia na ressurreição de Cristo, na mensagem de fraternidade e na promessa de salvação e vida eterna.


Igreja Católica Apostólica Romana



Com sede no Vaticano, a Igreja Católica Apostólica Romana se mantém como a maior das denominações cristãs, com aproximadamente 1 bilhão de fiéis. Possui uma rígida hierarquia, sob a direção do papa.



O catolicismo é um nome religioso aplicado a dois ramos do cristianismo: a Igreja Apostólica Romana (ocidental) e a Ortodoxa (oriental).

Um dos pontos da doutrina que difere o catolicismo de outras ramificações é a crença nos santos - intermediários entre o homem e Deus.

A missa é o principal ato litúrgico católico e o ponto mais importante é a eucaristia ou comunhão, que simboliza o ritual da última ceia. Além da comunhão, a Igreja possui mais seis sacramentos: o batismo, a crisma ou confirmação, matrimônio, penitência (perdão dos pecados, concedido após a confissão), ordem (sacerdócio) e unção dos enfermos.



Os católicos acreditam na virgindade de Maria, mãe de Jesus. Não aceitam a anticoncepção artificial, o aborto e o divórcio (apesar de, no Brasil, ser permitido).


Cruzadas

Em 27 de novembro de 1095, na França, o Papa Urbano II, ordenou que os cristãos reconquistassem Jerusalém – terra onde Jesus teria nascido e morrido. Após 200 anos de guerras e várias derrotas, as Igrejas Ocidental e Oriental foram separadas e aumentou a desconfiança entre cristãos e muçulmanos.


Cavaleiros Templários

Poderosa ordem católica medieval composta por padres, cavaleiros e soldados. Os membros eram desde religiosos fanáticos a poderosos banqueiros. Tinham o mesmo objetivo dos cruzados. E obedeciam duras normas. Como tudo era mantido em segredo, houve margem para que se criassem lendas em torno da ordem como o graal e os filhos de Jesus com Maria Madalena.


Opus Dei
Esta organização católica foi fundada por Josemaría Escrivá, na Espanha, entre os anos 30 e 40. É uma legião de homens e mulheres comuns que pretendem se misturar ao mundo e mudá-lo de dentro para fora. São cerca de 85 mil seguidores entre leigos e sacerdotes. Utilizam a autoflagelação e, em hierarquias inferiores, devem manter a castidade.


Movimento Carismático

Surgiu nos Estados Unidos, em 1968, sob orientação do papa João XXIII. O movimento tem o objetivo de modificar a Igreja para atrair novos fiéis e reconquistar os que se afastaram do catolicismo. Promoveram eventos como “Deus é Dez!”, com padre Zeca, um ex-surfista. E tentam inovar as missas destacando a parte musical como faz o padre Marcelo Rossi.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Candomblé



Thereza Gerhard


As religiões afro-brasileiras, até os anos 30, eram incluídas na categoria das religiões de preservação de patrimônios culturais dos antigos escravos africanos e descendentes. A organização das religiões negras no Brasil deu-se bem recentemente.

O candomblé tem raízes na África e chegou ao Brasil por meio dos escravos da área cultural banto (onde hoje estão os países da Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique) e da área cultural ketu da região sudanesa do Golfo da Guiné, atual território da Nigéria e Benin.

Logo que o candomblé chegou ao país, foi muito combatido, tanto pelos padres como pelos portugueses. Para fugir das perseguições, os negros fizeram uma fusão dos orixás com santos católicos, conseguindo, assim, mais liberdade para suas práticas religiosas. Atualmente, o candomblé resgatou as raízes, retornando as práticas originais.

Segundo o candomblé, cada pessoa pertence a um orixá determinado, que é o guardião da cabeça e mente, e de quem herda características físicas e de personalidade. É uma religião monoteísta, pois possui uma divindade principal, Olorum, que comanda os orixás.

No candomblé estão presentes o ritmo dos tambores, os cantos, a dança e a comida. No culto realiza-se a louvação aos orixás que "incorporam" nos fiéis, para fortalecer o axé (energia vital) que protege o terreiro e os membros.

O candomblé opera em um contexto ético no qual a noção judáico-cristã de pecado não existe. A diferença entre o bem e o mal depende basicamente da relação entre o seguidor e o orixá pessoal.


Há dezesseis principais orixás cultuados no Brasil:

Exu
, orixá mensageiro entre os homens e os deuses;
Xangô, do fogo e do trovão;
Iansã e Obä, orixás dos ventos e das tempestades;
Oxum, das águas doces;
Iemanjá, dos mares e oceanos;
Ogum, controla guerras, o fogo e a tecnologia;
Oxossi, rege a caça;
Obaluaiê, responsável pela cura;
Ossaim, controla as folhas e ervas medicinais;
Oxumaré, rege a chuva e o arco-íris;
Nana, da lama e do fundo dos rios;
Ewa, deusa da mutação;
Logun Ede, deus do encanto - metade Oxossi, metade Ogum;
Oxalá, pai de todos os orixás e
Oxoguian é Oxalá quando jovem.


Iniciação e sacrifício

O ritual envolve um período de reclusão, o sacrifício de animais, a oferenda de alimentos e a obediência a rígidos preceitos.

Segundo o antropólogo Raul Lody, ser noviço é um estágio duro e até cruel. Porém, Lody também afirma que há na iniciação o elemento de coesão do grupo.

A iniciação deve ser renovada após um, três, sete, quatorze e vinte e um anos. No sétimo ano de iniciação, o membro é autorizado a abrir casa de culto.

Todos os seguidores, após a iniciação, passam a fazer parte de uma hierarquia e podem ascender a pai ou mãe-de-santo.

O candomblé também atende a uma clientela que não participa dos cultos. Os clientes procuram a mãe ou pai-de-santo para o jogo de búzios e o oráculo do candomblé, por meio dos quais problemas são desvendados e oferendas são prescritas para a solução.


Fontes: LODY, Raul. Candomblé: Religião e resistência cultural. São paulo: Ática, 1987.

PRANDI, Reginaldo. Herdeiras do Axé. São Paulo: Hucitec, 1997.

Saiba mais: Especial Planeta na Web. A Ação dos Orixás Sobre Seus Filhos.

Para onde vamos?
O que acontece após a morte para os seguidores do candomblé.

Colaboração: Patrícia Ruela, 6º período de Publicidade e Propaganda do UBM.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Pensamento de Buda


"O que somos é a conseqüência do que pensamos".

"Abster-se de todo mal - praticar o bem -, purificar seus pensamentos: tais são os mandamentos de todos os Budas".

"Cada qual pagará a si mesmo pela má ação que cometeu. Praticando uma boa ação, cada qual se purificará a si mesmo. Não se podem purificar uns aos outros".

"Faça de ti mesmo teu próprio suporte, teu próprio refúgio".

"O verdadeiro sábio não é guiado por outrem, não se apega a nenhuma opinião sobre as diferentes doutrinas; ele está além de qualquer disputa".

"Não acrediteis numa coisa só por ouvir dizer. Não acrediteis na fé das tradições só porque foram transmitidas por longas gerações. Não acrediteis numa coisa só porque é dita e repetida por muita gente. Não acrediteis numa coisa só pelo testemunho de um sábio antigo. Não acrediteis numa coisa só porque as probabilidades a favorecem ou porque um longo hábito vos leva a tê-la por verdadeira. Não acredites no que imaginastes, pensando que um ser superior a revelou. Não acrediteis em coisa alguma apenas pela autoridade dos mais velhos ou dos vossos instrutores.

Mas aquilo que por vós mesmos experimentares, provastes e reconhecestes verdadeiro, aquilo que corresponde ao vosso bem e ao bem dos outros - isso deveis acreditar, e por isso moldar a vossa conduta".

"Todos os seres e todas as coisas são constituídas de uma mesma essência, embora pareçam diferentes segundo as formas que tomam, em conseqüência das influências que recebem. Como se formam e agem, são".

"A afeição ao prazer produz desgosto; o temor do sofrimento engendra o medo".

"Qual a raiz do Mal? A cobiça, o ódio e a ilusão".

"Qual é o caminho da salvação? É a retidão; é a meditação; é a sabedoria".

"Aquele que percebe a existência da dor e conhece sua causa, remédio e extinção entende as quatro nobres verdades e está no bom caminho".

"Quem desperta para o conhecimento da verdade livra-se de todo temor e conhece a futilidade de suas inquietações, ambições e sofrimentos".

"Não é sobre as faltas alheias que devemos fixar a atenção. mas sobre o que nós mesmos deixamos de fazer".


Fonte: O pensamento Vivo de Buda. Ediouro e Martin Claret Editores, 1985.

Budismo



Thereza Gerhard


Uma das religiões mais antigas da humanidade, o budismo não prega a existência de um deus. Foi criado no século VI a.C., pelo príncipe hindu Sidarta Gautama (563-483 a.C.), ou simplesmente Buda, que significa “o iluminado” ou “o desperto”.

Buda teria nascido na Índia, em uma família nobre. Pretendendo evitar a previsão de que Sidarta se tornaria um mestre espiritual, o pai, o rei Shudodhana, o cercou de uma vida de luxo, longe das questões filosóficas, espirituais e da realidade da vida fora do palácio. Entretanto, o príncipe conseguiu fugir para a cidade, onde, pela primeira vez, teve contato com a miséria da população. Chocado e em crise existencial, aos 29 anos, decidiu abandonar tudo e passou a se dedicar à busca da solução para o sofrimento humano.

O budismo tem de 350 a 500 milhões de seguidores em todo o mundo. E não se encaixa em nenhum dos padrões de outras religiões. Não há conceitos como céu, inferno e salvador. E segundo reportagem da Superinteressante, de março de 2002, “não há religião mais tolerante nem menos fundamentalista”.

O budismo ensina que os fiéis devem testar os ensinamentos de Buda nas experiências pessoais. “Através das ações diárias busco me tornar uma pessoa melhor”, diz a seguidora do budismo Nitiren Daishonin, Elizabete Moutinho.

O budismo procura levar os homens à superação do sofrimento por meio da disciplina mental, da meditação e de atitudes corretas perante a vida. Pela lei do carma, as ações das pessoas determinam o futuro. Elizabete fala da lei da causa e efeito ou carma: “Tudo que produzimos por nossos pensamentos, palavras e ações fica gravado em nossa vida e pode nos retornar. Por isto, presto mais atenção nas atitudes”.

Como não há templos budistas na região Sul Fluminense, Elizabete participa da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional. E as reuniões são realizadas nas casas dos membros.


Doutrina

Os ensinamentos deixados por Buda são filosóficos, éticos e psicológicos.

O sofrimento tem origem no desejo e no apego. E a superação da dor é alcançada por meio do Nobre Caminho Óctuplo ou pelas Seis Perfeições.

O Nobre Caminho Óctuplo resume-se em: visão, pensamento, fala, ação, meio de vida, esforço, atenção e meditação corretos.

E as Seis Perfeições são: generosidade, paciência, ética, esforço entusiástico, concentração e sabedoria.


Fonte: PAULA, Caco de. Buda (matéria de capa). O iluminado. Revista Superinteressante. São Paulo: Editora Abril, Março de 2002. PP 38-46.


Saiba mais: Associação Brasil Soka Gakkai Internacional
Buddhanet em inglês
Dharmanet
Jornal Brasil Seikyo

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Jovens e religião

O Jornal Hoje, da Rede Globo, fez uma reportagem especial sobre os jovens e seu relacionamento com a religião no Brasil, no dia 20 de agosto. A matéria traz algumas estatísticas:

20% dos jovens brasileiros não têm uma religião definida e 17% já mudaram de religião pelo menos uma vez. Contudo, 98% acreditam em Deus. Atualmente, 33% dos jovens seguem uma religião por decisão pessoal.

O site do Jornal Hoje disponibiliza o vídeo da reportagem.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Adventismo do Sétimo Dia

No século XIX, Guilherme William Miller, pastor batista do estado de Nova York, acreditava e começava a estudar e pregar a segunda vinda de Jesus. Segundo os cálculos dele, Cristo retornaria no ano de 1834. Várias pessoas, de diferentes igrejas, esperaram o Senhor naquele dia, porém nada ocorreu. Miller refez os cálculos, porém nenhuma data coincidia com a vinda de Cristo. O pastor finalmente reconheceu o erro. Porém, nem todos os seguidores abandonaram esta crença.

Hiram Edson, discípulo e amigo do pastor, teve uma “revelação”. Hiram concluiu que o local estava errado, não a data. Segundo Edson, “Cristo havia entrado no santuário celestial, não no terreno, para fazer uma obra de purificação ali”. Dos três grupos que apoiaram Hiram Edson, dois deles deram contribuição para a formação da Igreja Adventista do Sétimo Dia.




No culto de domingo ou primeira-feira – como os adventistas denominam o primeiro dia da semana –, dia 12 de agosto, na Igreja Adventista do Sétimo Dia, de Vassouras, os assuntos tratados foram práticos e úteis. Os membros da igreja que conduziam o culto, falaram sobre os fatores de risco para problemas do coração, o uso policiado cartões de crédito e cheques, a violência, a pobreza e a gravidez na adolescência.
Entre os presentes, havia um jovem casal de namorados, Tatiana Barros e Arthur Alvarenga. Tatiana faz medicina e acredita no criacionismo. “Deus capacita os médicos e faz com que os homens inventem os remédios. A oração funciona para quem nela crê”, diz Tatiana. Ambos afirmam que só farão sexo após o casamento, mas isto não impede que tenham um namoro normal.




Doutrinas

Guarda do sábado: o sétimo dia da semana é o dia de repouso dos adventistas – neste dia eles não trabalham.
Estado da alma após a morte: reduzida ao estado de silêncio, inatividade e inconsciência. “O corpo virá pó. E só ressuscitaremos no juízo final, quando Jesus retornar a Terra”, afirma o pastor João Faustino.
Destino Final dos ateus e do diabo: serão exterminados para não mais existirem. “Quem fez o mal, será queimado e destruído. Estarão sujeitos à condenação eterna”;
Pecados: “para ser perdoado, você precisa apenas se ajoelhar, arrepender-se e confessar a Deus os pecados”.
Pôr-do-sol: para os adventistas, o dia tem início no pôr-do-sol e não à meia noite.


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Matéria publicada na edição 44 do Entrelinhas
Fotos: Thereza Gerhard

Religiões

Nas sociedades organizadas, a religião é uma das estruturas institucionais importantes em que há práticas e crenças comuns, sendo, acima de tudo, social. A religião é encontrada em, praticamente, todas as sociedades humanas. Para a sociologia, a religião refere-se a algo vago e intangível: ao além. Pode estar associada a um poder sobrenatural que molda ou dirige a vida e a morte do ser humano, ou a um compromisso com idéias que tornam a vida coerente de acordo com orientações morais, valores e objetivos comuns.

Segundo o filósofo Marcos Fernando, nas religiões antigas o indivíduo comum não podia fazer por si mesmo os sacrifícios necessários à expiação de uma falta. “Daí surge uma classe especial de indivíduos responsáveis pelo trabalho espiritual de uma comunidade: os sacerdotes”. A palavra religião vem do latim religare que significa religar. “O papel da religião é ser um sistema cultural de ligação dos indivíduos com o mundo espiritual”, diz o professor.

De acordo com o estudante de Teologia Luiz Carlos Leite, religião é tudo aquilo em que você acredita e profetiza. “As religiões têm objetivos diferentes. Porém a fé é a mesma”, afirma.